Minha ânsia por fotografias é conhecida (e até temida pelos mais discretos, é bom que se diga.) Minhas e de quem amo, numa escala que vai de botões e unhas lascadas a grupos de gente nas formações clássicas “mesa de bar” e “timinho de futebol, ei, você, agacha aí na frente para poder caber”. As razões são as mesmas de toda a gente*, e eu não preciso ficar aqui a enumerar o óbvio; muitos Adãos e anti-Adãos já trabalharam nisso. (o plural de Adão aliás, qual é? Adões me pareceu um tanto esdrúxulo. Mandem suas investigações filológicas para a redação.)
Acontece (mudando inteiramente de assunto) que coisas mais óbvias sempre me foram problemáticas. Eu me sinto como uma mosca batendo no vidro do balcão da padaria a cada vez que percebo o quão simples é o que está na minha frente e, mesmo assim, entre o saber e o sabor** fico esmurrando o que eu sinto ser invisível só para mim.
Mas assim como em algum momento a mosquinha termina com uma baita duma enxaqueca, eu, provavelmente sentindo a mesmíssima dor, compreendo.
É impossível estar apaixonada todos os dias.
No rodapé.
* Estou lendo muita literatura portuguesa, perdoem o maneirismo.
** Momento “Cito Barthes até no meu blog, como sou previsível”:
A raiz do verbo “Saber” continha as duas acepções. Isso se perdeu no português brasileiro, mas não no de Portgual. Lá as coisas “sabem a”, assim como no francês, com o “savoir”.
SABER: lat. sapìo,is,ùi,ívi (ou ìi eí),ère ‘ter sabor, ter bom paladar, ter cheiro, sentir por meio do gosto, ter inteligência, ser sensato, prudente, conhecer, compreender, saber’; ver sab-; f.hist. 991 sabere, sXIII saber (porque o Houaiss Online é meu herói.)